Carolina

por Maria Carolina

Estive pensando se deveria te escrever, ou se deveria deixar pra lá. Pensando se você, talvez, gostaria de um abraço, ou se deveria fingir que esqueci as partes de você que ficaram por aqui. Acontece que pensar demais acaba levando a nada, e volto à estaca zero, pensando em como chegar até você.

Não sei o que foi que me prendeu tanto em você. Talvez tenha sido esse seu jeito de menina-mulher, mas no fundo apenas uma criança. Pode ser porque você se pareça muito com aquela atriz, aquela que você adora, que tem um charme distorcido e cabelos ondulados, e que o nome me foge à mente, mas que você sabe quem é. Ou pode ter sido a sua coletânea de discos improváveis, surpreendendo-me.

A verdade é que encontrei em você o amor –– ou achei que tinha encontrado. Aquele amor pelo qual viajei muitos lugares e me faltava em todas as estações. E me peguei pensando, de uma maneira que nunca previ, que gostaria que você estivesse por perto. Pra cuidar de você, dos seus dengos, dos seus prantos, dos seus danos… Nós sabemos que só estivemos realmente bem quando estávamos juntos.

Eu só queria que você fosse feliz, você disse. Pois bem, eu também só queria que você fosse feliz. E de todos os meus atos, voltar para você foi o mais egoísta e covarde de todos os que se arrastaram por esses meses. Eu apenas queria que tudo voltasse a andar nos trilhos. Queria as conversas às três da manhã e do seu corpo suado, nu, ao meu lado. Você me esperando… Eu ando querendo tudo que já passou e talvez isso não seja bom para nós. Ou para qualquer outra pessoa que sinta saudades de alguém.

As pessoas dizem que eu mudei, mas não é verdade. Eu tentei mudar, pra ver se mudando eu te merecia. Mas você já não se importa mais com isso. Você é a única pessoa para quem quero contar sobre o meu dia, mas já não é mais curiosa; não quer mais saber como foi o dia no trabalho, ou se cortei o cabelo, ou como vai minha mãe… E assim é melhor.

Ah, Carolina, se ao menos eu pudesse te apagar definitivamente, como em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Apagar por inteira, não deixando ficar estes restos de você que só pioram a memória. Mas como não posso, pretendo te odiar ou não nutrir mais nenhum sentimento bom por você. Ou não nutrir nenhum.

Enfrentei mal-amores, anos sem-amor, e experimentei do mais sincero, da mais sincera garota, de quem eu conheço mais que a mim mesmo. Um dia a gente vai se encontrar. Um dia. Não agora –– ou num futuro tão próximo assim. Só não me deixe, Carolina, viver em cima desse nosso reencontro. Não me deixa achar que ainda posso lutar por você, que tudo voltará a ser como era antes.

Eu apenas quero te dizer que não quero ter mais nada a dizer para você.

Anúncios